LORD SARNEY É SOCORRIDO POR BRUXARIAS
Os cabelos de Sarney são tingidos. As sobrancelhas de Sarney são tingidas. O bigode de Sarney é tingido.O nome Sarney foi tirado do Almanaque Bristol - editado em 1901 - pelo seu avô, afirma o jornalista Luiz Gutemberg. Os almanaques Capivarol e Elixir Prata concorriam com o Bristol, um nome tipicamente inglês. Daí a versão de que Sarney deriva de Sir Ney, um respeitável lord inglês, possivelmente citado nas doutas páginas do Bristol. O imponente presidente do Senado adotou legalmente seu nome atual em l965, posto que já o usava - indevidamente - desde l950, quando ingressou no paraíso político brasileiro. De lá para cá, jamais surgiu uma Eva que colocasse em risco sua boa vida no Jardim de Éden. Um ano antes de Sarney alterar sua identidade explodiu a revolução militar no Brasil. Sarney foi rápido no gatilho; não correria o risco de ser confundido com um josé da silva qualquer e acabar nas truculentas mãos da repressão. Há outra explicação para o momento estratégico escolhido por esse hábil sobrevivente político, até hoje no poder? Lula tem razão; Sarney não é igual a nós. Sarney is all. Sarney is special.
O Maranhão é maravilhoso. Este jornalista que vos fala conhece muitos lugares mundo afora por força da profissão e jura, de pés juntos, que é lugar de espantosa beleza . São Luís é uma cidade linda. A única fundada por franceses que por lá deixaram marcas arquitetônicas de sua invejável cultura. A população é bonita, amável e charmosa; as mulheres têm, realmente, "os cabelos negros como a asa da graúna e os lábios mais doces que um favo de mel." O Maranhão não merecia ser o berço de Sarney.
Mas há outro aspecto na terra de Sarney; o Maranhão é uma fábrica de bruxarias. Muitos sabem disso.
Esta é uma das principais explicações para a incrível longevidade política de José Sarney de Araújo Costa, presidente do Senado, que despontou no noticiário nacional como porta-estandarte de surpreendente desfile de escândalos, no embalado rítimo do carimbó maranhense. No abre-alas,
toda a sua família e apadrinhados surgiram rebolando alegremente, jogando beijinhos para a platéia atônita. Equanto isso, as bruxarias trabalhavam dia e noite para segurar a barra do lord inglês.
E deram o primeiro sinal de sucesso: quando toda a sujeira subia a crista da onda no noticiário da imprensa, eis que, de repente, morre Michael Jackson. Os tambores batiam forte. As encruzilhadas das cidades maranhenses estavam repletas de velas acesas e promessas ardentes. Sarney passou para o segundo plano e o cadáver de Michael Jackson surgiu no palco de todas as manchetes.
As bruxarias não estão apenas no Maranhão. Brasília está repleta de bruxos, bruxas e assemelhados de todos os tipos e sabores. A capital do País já surgiu com vocação para o sobrenatural; um padre italiano, dom Bosco, que viveu no século XlX, teve um sonho mostando as coordenadas geográficas onde deveria surgir uma cidade fantástica. Essa história foi rolando, rolando, chegou aos ouvidos de Juscelino Kubitschek e Brasília foi construída exatamente onde indicou o sonho do tal padre, hoje canonizado e padroeiro da capital brasileira.
Tem mais: Juscelino era grande admirador dos antigos egípcios. E o traçado urbanístico de Brasília é igual ao da cidade de Akhetaton, planejada e construída há milhares de anos pelo faraó Akhenaton para ser a nova capital de seu império. O mausoléu onde está o corpo de Juscelino é uma pirámide perfeita e seus restos mortais jazem no interior de uma peça de mármore semelhante a um sarcófago. Esta face de Brasília gerou um clima propício à instalação de inúmeros pontos de práticas de bruxarias. Os brasilenses sabem muito bem que os maiores clientes do fervoroso e lucrativo exercício de bruxarias são os políticos. Sarney, é claro, não deixaria de fazer suas encomendas quando foi flagrado com a mão em lugares impróprios. Sim, os tambores estão batendo forte em Brasília.
Fernando Collor de Mello, considerado o Príncipe de Alagoas, foi presidente da República no período 1990-1992 e morava na famosa Casa da Dinda, na região do Lago Norte, em Brasília. Era uma mansão suntuosa; conforme o jornal Correio Braziliense, apenas os magníficos jardins teriam custado US 2.5 milhões desembolsados pelo esquema de desvio de dinheiro público administrado por PC Farias, assessor de Collor. À época, a Rede Record divulgou que o lago dos jardins recebia água filtrada e oxigenada do então poluído Lago Paranoá. A Casa da Dinda foi um vergonhoso símbolo de poder e ostentação. PC Farias era um mágico muito hábil , capaz de fazer desaparecer grandes somas de dinheiro do modesto povo brasileiro. Acabou assassinado. Talvez porque soubesse demais, talvez.
Contudo, o mais interessante da Casa da Dinda não era visível; porém boa parte da população de Brasília sabia e o jornal baiano A Tarde registrou na edição do dia 14 de março de 1993: o porão da Casa da Dinda era lugar de constantes sessões de bruxaria.
Fernando Collor de Mello foi cassado, deixou o cargo de presidente da República Federativa do Brasil,
e agora é senador. Senador da República Federativa do Brasil. É mole? Sim, as bruxarias são poderosas e Lula está coberto de razão quando diz que Sarney não é uma pessoa qualquer. Sim,
Sarney is very special, Sarney is all, Sarney is the guy . Sarney é o soberano da capitania hereditária do Estado do Maranhão. Sarney é a reincarnação do faraó Akhenaton. Sarney está além da condição humana e paira sobre as estrelas. Talvez ele nem faça cocô.
Herbert Timm